Cervejinha na praia?

By Edu, 2 de agosto de 2010

Aqui nos EUA existe uma lei que assustaria muitos de nós, brasileiros. A “Lei do Vasilhame Aberto” ou “Open Container Law“. Salvo algumas raríssimas exceções a regra aqui é clara: Nada de álcool em lugar público.




Cervejinha na praia? Não existe.

Um grande amigo que veio nos visitar no ano passado aproveitou para conhecer NY. Ao chegar na cidade, a primeira coisa que pensou foi: “Vou tomar uma cerveja para comemorar”. Entrou numa pequena loja de bebidas e não teve dúvidas, abriu a garrafa assim que saiu. Segundo ele, foi o gole de cerveja mais caro que ele já tomou: A garrafa, que custou cerca de US$ 10 teve que ser imediatamente colocada no lixo, ainda cheia. Ordem de um policial. Na verdade dez dólares saiu até barato, por ser turista ele acabou não tomando a multa de algumas centenas de dólares que um residente provavelmente receberia.

Além disso, aprendi que na maioria dos estados norte-americanos nem mesmo passageiros podem beber dentro de um carro em movimento. Se a polícia encontrar latinhas ou garrafas abertas isso já é considerado uma infração. O senso comum diz que para evitar problemas o lugar de álcool é lacrado, no porta-malas.

Quando cheguei aqui, depois de viver no sul da Alemanha, onde se pode beber livremente em parques, escolas, trens, e até mesmo dentro de algumas empresas, isso foi um choque. Mesmo assim a adaptação foi bem mais tranquila que o susto inicial: cervejinha agora só em casa ou em restaurantes, de preferência ao ar livre (e no verão).

:)

Para pensar: “Senso comum” é bem menos intuitivo quando falamos de diferentes culturas. Muitas vezes para encontrar soluções radicais temos que desafiar o common sense, o que é considerado “normal” para nós. Toda vez que ouço a frase “Ah mas isso nunca vai dar certo aqui” ou “No Brasil isso nunca daria certo” vejo apenas uma coisa: um imenso potencial, no ponto onde os óbvios colidem. Para deixar bem claro, não advoco pela “Lei do Vasilhame Aberto”, considero apenas mais um excelente exemplo de que o óbvio às vezes pode não ser tão óbvio assim. Faz sentido?

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