Como a Netflix segue se reinventando

By Edu, 27 de outubro de 2009

Este é um post um pouco mais longo que o habitual. Para quem não conhece um breve resumo: A Netflix é a empresa que há alguns anos surpreendeu a todos, e principalmente à então líder no mercado de locação de vídeos nos EUA, a Blockbuster. Através de uma ideia inicial simples, o envio e devolução de DVDs pelo correio, e um simpático envelopinho vermelho, a empresa experienciou um crescimento monstruoso em um curto período de tempo. São nada mais do que 10 milhões de usuários pagantes.

Assinamos o serviço há mais de um ano e não tenho do que reclamar. Por menos de US$10 por mês, é possível receber em casa os filmes que colocamos em nossa lista online (queue). Serve também de certa forma como memória, todos os filmes que você gostaria de assistir estão lá, organizadinhos. Quanto ao envio pelo correio, não é necessário nem selar, o porte é pago também para a devolução. Este plano é o mais simples, de um filme por vez, mas existem outras opções para que o usuário possa ter em casa até 3 filmes ao mesmo tempo e outras opções como filmes em Blu-ray.

Mas as razões que na minha opinião realmente fizeram a diferença e conquistaram os americanos são:

  • Taxa por atraso: Não existe. Esta sim foi a grande sacada do Netflix. Basicamente, se você pagar sua mensalidade, pode ficar o tempo que quiser com o mesmo filme, não importa. Ao mesmo tempo, o tempo está a favor deles, se você quiser receber outro filme logo, o maior interesse é devolver o DVD o mais rápido possível, já que o próximo filme só é enviado assim que eles recebem o filme que você assistiu.
  • Brilhante plataforma: O sistema recomenda automaticamente filmes que possam ser interessantes para você, baseado nos filmes que você já viu e em preferências de usuários com gosto similar. Excelente para pessoas, que como eu, vão a uma locadora e automaticamente esquecem de todos os filmes que tanto queriam assistir. O algoritmo deles é fenomenal, falarei mais a respeito a seguir.
  • Flexibilidade e jogo limpo: Se você perder um envelope, mande dois filmes num mesmo envelope, não importa muito. Toda o controle que te faz parecer um criminoso toda vez que você devolve um filme na locadora acaba. Outro ponto interessante, em um ano de uso apenas uma vez o filme que estava em primeiro em minha lista não estava disponível. Ao invés de ter que esperar, me enviaram o segundo filme da lista e alguns dias depois o filme que estava em primeiro, com um pedido de desculpas.
  • Porém, por incrível que pareça, a Netflix já sabia que seu negócio de entrega e devolução de filmes estava com seus dias contados. E, para evitar que alguma outra empresa apareça com um modelo de negócios que faça dela a nova vítima, como aconteceu recentemente com a Blockbuster, eles decidiram se antecipar e se reinventar, e é este o tema deste post.

    Ao invés de investir apenas em inovar incrementalmente o sistema que os tornou famosos e os colocou na liderança, a Netflix resolveu seguir alguns outros rumos totalmente diferentes, testando a distribuição de filmes online sem custo adicional para seus membros com qualidade bem razoável. Isso significa que mesmo que meu filme esteja em trânsito, eu ainda posso assistir a quantos filmes quiser online. A seleção é grande, mas geralmente ainda são os filmes mais antigos. Mesmo assim não deixa de uma vantagem interessante. E desta forma a empresa já coloca uma barreira e evita que seus membros migrem para algum sistema revolucionário.

    Além disso, sabem que independentemente da forma de entrega dos filmes, o algoritmo que faz as recomendações de filmes é o coração do sistema. Como fazer para melhorar este algoritmo? Crowdsourcing: Através do Netflix Prize, abriram parte do banco de dados online para o mundo e ofereceram US$1.000.000 (sim, um milhão de dólares) para quem conseguisse melhorar o algoritmo que sugere títulos em mais de 10%. Há algumas semanas finalmente alguém conseguiu a proeza e embolsou a bolada. A empresa se beneficiou das melhorias a um preço fixo, ao invés de seguir a rota convencional de desenvolver internamente ou contratar uma empresa qualquer, ações que muito provavelmente nunca seriam capazes de atingir os mesmos resultados. Se tiver interesse, a empresa lançará uma segunda versão do desafio muito em breve.

    E para finalizar, a empresa recentemente passou a utilizar também videogames para distribuir seus filmes online. O XBox já funciona e o Sony Playstation 3 passará a suportar o sistema online a partir de novembro, segundo a Wired<;a>. Quase que do dia pra noite, se acaba com toda a burocracia e esperas do sistema de entrega física da mídia, seja por locadora ou pelo correio, e você pode assistir qualquer filme a qualquer hora, onde quiser (até mesmo em seu videogame).

    E por falar nisso, pensando em seu negócio, em sua profissão, qual a maior ameaça externa que virá pela frente e, principalmente, quando tempo vai levar para você, como a Netflix, deixar o status quo de lado e se reinventar?

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