Este é um post um pouco mais longo que o habitual. Para quem não conhece um breve resumo: A Netflix é a empresa que há alguns anos surpreendeu a todos, e principalmente à então lÃder no mercado de locação de vÃdeos nos EUA, a Blockbuster. Através de uma ideia inicial simples, o envio e devolução de DVDs pelo correio, e um simpático envelopinho vermelho, a empresa experienciou um crescimento monstruoso em um curto perÃodo de tempo. São nada mais do que 10 milhões de usuários pagantes.
Assinamos o serviço há mais de um ano e não tenho do que reclamar. Por menos de US$10 por mês, é possÃvel receber em casa os filmes que colocamos em nossa lista online (queue). Serve também de certa forma como memória, todos os filmes que você gostaria de assistir estão lá, organizadinhos. Quanto ao envio pelo correio, não é necessário nem selar, o porte é pago também para a devolução. Este plano é o mais simples, de um filme por vez, mas existem outras opções para que o usuário possa ter em casa até 3 filmes ao mesmo tempo e outras opções como filmes em Blu-ray.
Mas as razões que na minha opinião realmente fizeram a diferença e conquistaram os americanos são:
Porém, por incrÃvel que pareça, a Netflix já sabia que seu negócio de entrega e devolução de filmes estava com seus dias contados. E, para evitar que alguma outra empresa apareça com um modelo de negócios que faça dela a nova vÃtima, como aconteceu recentemente com a Blockbuster, eles decidiram se antecipar e se reinventar, e é este o tema deste post.
Ao invés de investir apenas em inovar incrementalmente o sistema que os tornou famosos e os colocou na liderança, a Netflix resolveu seguir alguns outros rumos totalmente diferentes, testando a distribuição de filmes online sem custo adicional para seus membros com qualidade bem razoável. Isso significa que mesmo que meu filme esteja em trânsito, eu ainda posso assistir a quantos filmes quiser online. A seleção é grande, mas geralmente ainda são os filmes mais antigos. Mesmo assim não deixa de uma vantagem interessante. E desta forma a empresa já coloca uma barreira e evita que seus membros migrem para algum sistema revolucionário.
Além disso, sabem que independentemente da forma de entrega dos filmes, o algoritmo que faz as recomendações de filmes é o coração do sistema. Como fazer para melhorar este algoritmo? Crowdsourcing: Através do Netflix Prize, abriram parte do banco de dados online para o mundo e ofereceram US$1.000.000 (sim, um milhão de dólares) para quem conseguisse melhorar o algoritmo que sugere tÃtulos em mais de 10%. Há algumas semanas finalmente alguém conseguiu a proeza e embolsou a bolada. A empresa se beneficiou das melhorias a um preço fixo, ao invés de seguir a rota convencional de desenvolver internamente ou contratar uma empresa qualquer, ações que muito provavelmente nunca seriam capazes de atingir os mesmos resultados. Se tiver interesse, a empresa lançará uma segunda versão do desafio muito em breve.
E para finalizar, a empresa recentemente passou a utilizar também videogames para distribuir seus filmes online. O XBox já funciona e o Sony Playstation 3 passará a suportar o sistema online a partir de novembro, segundo a Wired<;a>. Quase que do dia pra noite, se acaba com toda a burocracia e esperas do sistema de entrega fÃsica da mÃdia, seja por locadora ou pelo correio, e você pode assistir qualquer filme a qualquer hora, onde quiser (até mesmo em seu videogame).
E por falar nisso, pensando em seu negócio, em sua profissão, qual a maior ameaça externa que virá pela frente e, principalmente, quando tempo vai levar para você, como a Netflix, deixar o status quo de lado e se reinventar?




