Florianópolis, não se inspire em São Paulo

By Edu, 16 de novembro de 2009

Não acredito que em 2009 se pense em adotar exatamente a mesma política adotada em 1996 em São Paulo, quando existem dados suficientes para comprovar que a política é ineficaz em longo prazo. Além disso, acredito no potencial da população de Florianópolis em encontrar soluções mais criativas e eficazes. Se mesmo assim adotarem o rodízio, seria uma oportunidade acadêmica única, uma chance de comparar modelos teóricos como este com o que ocorre na prática e, ainda melhor: em um sistema fechado – uma bela ilha.

Para finalizar, seguem algumas ideias para combater o problema atacando suas causas, e não seus efeitos:

Sem implementar o rodízio

  • Ofereça transporte público de qualidade (inclui pontualidade, cordialidade e segurança)
  • Torne mais fácil o uso de transporte público que a utilização de carro. A Suécia encontrou uma solução interessante implementada no programa “Vision Zero” onde através da redução drástica de limites velocidade, se ganha com o aumento na segurança e torna os tempos de deslocamento por automóvel mais longos, favorecendo assim a utilização de transportes alternativos. No livro que considero referência para a metodologia “Sterman: Business Dynamics – Systems Thinking and Modeling for a Complex World” esta solução é citada na pág. 189. Para saber mais sobre o “Vision Zero” leia a respeito, em inglês, aqui.
  • Promova o uso de bicicletas, torne-as não só moda como também prioridade (bike lanes, segurança, locais para que as bicicletas sejam guardadas e estacionadas com segurança)
  • Ofereça aluguel de bicicletas, como é feito em Paris (Vélib’) e na Alemanha (Call-a-Bike, mais a respeito no outro post de hoje).
  • Ofereça transporte público gratuito a turistas (2 semanas por ano?)
  • Crie bolsões de estacionamento fora da ilha para turistas, de custo baixo ou mesmo de graça e com transporte de qualidade para a ilha e dentro dela. Cobre caro de turistas que mesmo assim queiram dirigir na ilha (modelo adotado por NY em Manhattan).

Se mesmo assim introduzirem o rodízio

  • Ofereça uma alternativa para que a população possa optar em pagar uma taxa anual para se isentar do rodízio, menor que o custo de comprar e manter um segundo carro (quem sabe algo como R$1000 /ano). Desta forma se combate o “jeitinho” de forma elegante, arrecadando impostos de quem não se dispõe a utilizar outras formas de transporte. Dá também alternativas aos que de qualquer forma nunca optariam por transporte público. Invista 100% do dinheiro arrecadado em meios de transporte alternativos.

Colocamos o modelo do rodízio de São Paulo, criado com o software “iThink“, à disposição para quem esteja disposto a melhorá-lo.

E você? Concorda? O que pensa a respeito? Quais outras ideias poderiam ser adotadas para melhorar o trânsito da ilha?

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