Não confunda inovação com…

By Edu, 30 de julho de 2010

Se no mundo acadêmico já existem controvérsias sobre o significado da palavra inovação, imagine no dia-a-dia. Para tentar desatar este nó, reuní neste post algumas atividades que deveríamos evitar serem batizadas de inovação. Tenho a impressão de que corremos o sério risco de usar a palavra ao leo, de chamar qualquer coisa que apareça de inovação. Na minha opinião o risco é ter o verdadeiro significado da palavra enterrado sob uma montanha de outros empregos menos nobres.

Ao mesmo tempo, quem sou eu para dizer o que é inovação? Existem variantes e mais variantes, é uma discussão sem fim. Muitas das definições envolvem sucesso no mercado: “Inovação deve necessariamente gerar dinheiro”, muitos dizem. Daí pergunto: Mas e Google, Twitter, Facebook, YouTube, não seriam inovações? Onde o sucesso financeiro entra nesta equação? E quem consegue negar que estas empresas são nada mais do que resultados de inovações?

Por este e outros motivos, a definição que mais me agrada ultimamente é simples, bela e menos burocrática:

Inovação = Ideia + Invenção + Difusão

Tobias Müller-Prothmann, Nora Dörr: Innovationsmanagement. Strategien, Methoden und Werkzeuge für systematische Innovationsprozesse. Hanser, München 2009 Página 7.



O problema é que tentamos cortar caminho. Insistimos em batizar de inovação uma simples ideia, antes mesmo de escrevê-la num pedaço de papel. Insistimos em batizar um novo produto de inovação, mesmo que ele seja exatamente igual a todos os outros 524 concorrentes. Insistimos em nos auto-batizarmos “inovadores”, “líderes em inovação” sem nem mesmo entender o que isso significa na realidade.

Por isso amigos, na hora da dúvida se lembre da fórmula acima. Pode não ser a mais perfeita das definições, mas é simples e fácil de lembrar. Além disso:

Não confunda inovação com ideia

Uma ideia nada mais é do que uma ideia. Sem colocar em prática ela continua sendo apenas e tão somente uma ideia. O mundo é cheio de ideias. Gerar ideias é a coisa mais simples e fácil, colocá-las em prática é algo muito mais complexo e trabalhoso. Não é por acaso que este site não leva a palavra inovação no nome, escrever apenas sobre o tema inovação seria um limitante incômodo. Prefiro discutir ideias. Se elas geram inovações ou não, este é um outro capítulo que gostaria que algum dia alguém me contasse.

Não confunda inovação com invenção

Ainda que uma invenção seja um passo além de uma simples ideia, ainda é cedo para chamá-la de inovação. Faça uma pesquisa taxa de insucesso de invenções, você encontrará várias fontes, a maioria indicando que de forma geral este número gira em torno de 95%. Por mais sensacional que uma invenção pareça ser, as chances são extremamente grandes de ser ainda cedo, muito cedo, para chamá-la de inovação.

Não confunda inovação com novo, novidade

Um novo técnico em um time de futebol não é inovação, me desculpem os fanáticos pelo esporte. Sei que a vontade de usar a palavra é grande, mas infelizmente ele será e continuará sendo apenas o novo técnico. Da mesma forma, lançar um novo produto e sair dizendo que é a maior inovação dos últimos tempos não faz o menor sentido. Se realmente for a maior inovação dos últimos tempos, talvez você não precise nem de campanha de marketing. Sempre tento evitar associar a palavra inovação ao lançamento de um produto ou serviço. Traçando um paralelo com as taxas de insucesso de invenções, eu diria que em cerca de 95% das vezes isso é um tiro no pé. Não tenho nada contra novidades, novos lançamentos, reestilizações, face-lifts. Só não chamem de inovação.


Não confunda inovação com moda ou jeito diferente

Essa é outra que às vezes me irrita um pouco. Moda é moda. A moda está em constante transformação. Tendências vão e vem. Não me venha dizer que um novo vestido se trata de uma inovação já na primeira vez que alguém o apresenta em uma passarela. Além disso, usar uma roupa diferente, pintar seu produto de uma cor diferente, inventar um novo penteado, colocar a cueca por cima da calça, usar o tênis colorido com seu paletó. Tudo é bem diferente, alguém pode até identificar estas tendências e de alguma forma transformá-las em inovação. Mesmo assim entre ser diferente e inovar existe um imenso e árduo caminho. Mudar o penteado até pode ser bacana e fazer sucesso, mas por favor não chame de inovação:



Mesmo que você invente um penteado desses, não chame de inovação!

Mesmo que seu penteado seja bacana, não chame de inovação!

Photo used under Creative Commons from: twid / CC BY-SA 2.0

Para finalizar

Espero que minha frustração se transforme em aprendizado para todos nós. Temos (sem dúvidas) que nos esforçar bastante para promover inovações, mas temos que nos lembrar que inovação é necessariamente o resultado de um trabalho, não apenas um discurso bonito ou pior, uma “ferramenta de marketing” (sic).

Ficar encontrando milhares de coisas diferentes para chamar de inovação apenas nos distrai do trabalho que está aí para ser feito. Se pintar a dúvida, batize de qualquer coisa: chame de novo, maluco, radical, diferente, irado. Mas se não tiver certeza faça um bem para você e para todos nós: evite usar o termo inovação. Me esforço para fazer o mesmo.

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