O poder da cultura de presentear

By Edu, 21 de janeiro de 2010

Este é o quarto de cinco textos dedicados ao novo livro de Seth Godin, Linchpin.
Segunda-Feira: Remarkable People
Terça-Feira: Se tornando um Linchpin
Ontem: Vencendo a resistência


 

Esta é uma das minhas partes favoritas do livro, faço das palavras de Seth Godin as minhas (p.169):


 

Eu não escrevo meu blog para obter algo de você em troca. Escrevo poque dar este pequeno presente à comunidade na forma escrita me faz bem. Gosto que você goste. Quando este presente volta para mim, um dia, de forma inexplicada, eu me delicio com meu trabalho de forma dobrada.

Esta é realmente a forma que penso. Compartilho neste site pequenas amostras da parte inícial de um processo de inovação. Não é muito e nem pode ser, estes processos são únicos e devem ser tratados desta forma. Além disso, se tornam menos interessantes para o público geral à medida que avançam. Quem sabe um dia você ou sua organização precise de suporte nesta área, talvez você se lembre de mim, nem que seja para um bate-papo.

Alguns artistas da indústria da música perceberam este poder, e ao invés de tentar proibir que concertos sejam gravados e redistribuídos online, eles incentivam que isso aconteça. Não é nada intuitivo e vai contra as regras do capitalismo. Como assim, se todo mundo receber minha obra de graça, como eu almoço amanhã? E é isto que estes artistas perceberam, ao dar este presente aos fãs, mais tarde eles recebem de volta, seja na forma de divulgação, seja na compra de um álbum, seja levando amigos para um show ao vivo.

E é nisto que deveríamos nos inspirar. Éramos o país da “lei de Gérson”, da malandragem. “Alguém vai levar vantagem em cima de meu trabalho, vão se aproveitar de mim”. E isto era motivo suficiente para que deixemos de fazer, para que deixemos de presentear. Isso acabou. Se alguém nunca te disse isso, estou dizendo agora.

Photo used under Creative Commons from: The Scott / CC BY-NC 2.0


 

Presentes não apenas satisfazem nossas necessidades como artistas, eles também mostram ao mundo que temos muito mais a compartilhar. Esta perspectiva é magnética. O quanto mais você tiver em sua jarra, mais provavelmente as pessoas irão te pedir um drinque.(p. 154)

E falando em bebidas, este texto me fez lembrar um dos modelos de negócios mais malucos que já vi. Fica em Berlim e é onde a moçada universitária vai tomar vinho e trocar ideias antes de ir para a “balada” (desculpem, resquícios do paulistanês). O mais incrível é que não existe menu. Na verdade não existe transação comercial alguma. Você entra, pega uma taça e é servido com vinhos disponíveis naquela noite. No final existe uma grande jarra e você “doa” o quanto quiser em troca do que consumiu. Existe um “código informal de honra” que diz que você deve pagar o equivalente a 2 ou 3 euros por taça, mas é apenas uma sugestão. A casa não cobra, controla apenas se você ao menos contribuiu. Percebi que muita gente paga a mais para que o local continue funcionando. Já aviso que eles geralmente não gostam muito de turistas por lá, por razões óbvias.

Modelos como este são menos malucos na internet. Veja por exemplo o conceito de “Freemium”, você usa parte do meu serviço de graça e se gostar me paga para ter algum extra. Se o básico é suficiente, você pode usar à vontade porque tem gente que paga pelo “premium”.

Ou mesmo modelos baseados em doações: Wikipédia, uma das maiores fontes de conhecimento existentes, não paga absolutamente nada a colaboradores, e mesmo assim funciona. A NPR (National Public Radio) produz programas de rádio excepcionais e é mantida através de doações de ouvintes. Disponibilizam os programas gratuitamente online. O TED Talks tem um sistema fenomenal de traduções (sou um dos tradutores), feitas sem interesse monetário algum, na base da confiança. E por aí vai.

Obrigado, … (p. 171)

Se você apreciou o presente, considere dizer “Obrigado, …”:

Obrigado, comentei com seu chefe seu trabalho maravilhoso.

Obrigado, você me fez chorar.
Obrigado, acabo de blogar sobre o que você fez.
Obrigado, aqui está uma gorjeta de vinte dólares. Eu sei que não é muito, mas é o que eu posso te dar agora.

Obrigado, você me mudou, para sempre.

E para os que acham que podem tirar proveito destes linchpins:

O artista está produzindo um presente, promovendo uma mudança, causando boas ações sem a esperança de ser pago. … Se você tiver sorte suficiente para encontrar um artista, você deveria trabalhar duro para pagar o máximo que você pode a ele, porque se você não o fizer, alguém o fará. (p. 172)

Esta série de posts é um presente duplo. Por um lado estou compartilhando a mais nova obra de um de meus artistas favoritos. Ele agradece. Fora isso, você não pode reclamar que ninguém te deu um presente hoje. Este também é meu presente para você, espero que goste.

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