Neste último post da semana gostaria apenas de deixar registrado os pontos que mais chamaram a atenção de americanos visitando o Brasil pela primeira vez. Enfatizo que são os poucos pontos negativos da viagem mas representam grande parte do desconforto que observei eles passarem. Parece óbvio, mas são exemplos de áreas clamando por melhorias e inovações:
1. Trânsito
Sem dúvida nenhuma o mais absurdo. Rio de Janeiro e São Paulo encabeçam a lista. Fui xingado em São Paulo quando o real motivo eram os faróis, quebrados pela chuva, no amarelo. Farol amarelo é sinal de “acelere” no Brasil. Para informação: a lei diz o contrário. Pedestres não sabem o que fazer quando a preferência (que é deles) é dada, não acreditam que alguém vai esperar eles passarem. Motoristas impacientes não conseguem esperar um minuto sequer, a não ser que seja ao parar em fila dupla, “só um minutinho”. Vimos acidentes. Vimos inúmeros “quase-acidentes”. Vivemos no limite, sem necessidade. Ações como o Trânsito Mais Gentil são extremamente bem vindas, é uma das formas de promover a mudança da cultura. Não pensem que sou santo, precisei morar na Alemanha e nos EUA para descobrir que também fazia (e ainda faço) parte desta loucura. Mas mais importante, aprendi que existem formas de combatê-la. Garanto que sociedade ganha como um todo.
2. Pichação e grades
Para mim e para a maioria dos brasileiros é normal. Aprendemos a ignorar o fato de estarmos cercados por grades e pichações. Para americanos é sinônimo de área de risco, local inseguro. É também sinônimo de desvalorização imobiliária. Nunca tinha parado para pensar nesse aspecto, apenas a mudança de perspectiva poderia provocar a mudança. Quem quer investir nos bairros mais pichados da cidade? E se de repente o imóvel de todos passassem a valer mais, não justificaria o investimento em tinta?
Teremos dois grandes eventos internacionais em breve. Apenas “maquiar” as cidades pintando postes e guias não vai resolver.
3. Lixo
Sem comentários.
Para finalizar, algumas imagens do descaso que aprendemos a ignorar:






Oportunidades para melhorar não faltam, quem se candidata?





8 Comentários
Vi uma publicação do Fritjof Capra que mostra a transformação que uma escola proporcionou em todo o seu entorno em Berkley… um sonho.
Mas eu diria que aqui, na realidade brasileira, a coisa é um pouco diferente… somente ações comunitárias podem mudar essa realidade, o que certamente não será conquistado sem polÃticas públicas estruturadas e eficientes, o que por sua vez só podem ser formuladas e aplicadas e por figuras polÃticas conscientes de seu papel.
As eleições estão chegando… seria ótimo se as pessoas prestassem a atenção a esses pontostambém e não apenas à s bolsas famÃlia, gás, transporte e todas as outras que os candidatos adoram propor durante suas campanhas e que apenas dão o peixe, mas não dão nem a vara e muito menos ensinam como se pesca.
Fernanda, muito oportuno seu comentário. Também acredito que a mudança esteja mais nas mãos da comunidade, de pessoas como eu e você. O Brasil passará por profundas transformações nestes próximos anos, espero que a polÃtica seja uma delas. Um abraço, Edu.
Não vou negar. Desde que me mudei para os EUA, não passo um dia sem me perguntar o que levou esse povo a ser tão mais cuidadoso, respeitoso e consciente que os brasileiros de uma forma geral. Recentemente, depois de ler o livro “The Tipping Point”, me convenci que é muito menos óbvio do que parece e que requer uma dose grande de psicologia.
Um exemplo do próprio livro para ilustrar: Para combater a pichação dos trems do metrô em Nova Iorque, a estratégia foi limpar a pichação consistentemente sempre que um trem chegasse sujo ao ponto final. Em outras palavras, comportamentos são contagiosos. Neste caso, pichação leva a pichação e limpeza leva a limpeza.
Nada conclusivo. Apenas algo para pensar.
Rafael,
Vale a pena dar uma olhada também em Fixing Broken Windows: Restoring Order and Reducing Crime in Our Communities, uma das estratégias implementadas com sucesso aà em NY
___________________________________
“O livro é baseado num artigo com o tÃtulo “Broken Windows” de James Q. Wilson e George L. Kelling, que surgiu em março de 1982 no The Atlantic Monthly. O tÃtulo provém dos seguintes exemplos:
“Considere-se um edifÃcio com algumas janelas quebradas. Se as janelas não são reparadas, a tendência é para que vândalos partam mais janelas. Eventualmente, poderão entrar no edifÃcio, e se este estiver desocupado, tornam-se “ocupas” ou incendeiam o edifÃcio.
Ou considere-se um passeio. Algum lixo acumula-se. Depois, mais lixo acumula. Eventualmente, as pessoas começam a deixar sacos de lixo.”
Uma estratégia de êxito para prevenir o vandalismo, dizem os autores do estudo, é arranjar os problemas quando eles são pequenos. Reparar as janelas quebradas em pouco tempo, dizem os autores, e ver-se-á que os vândalos terão menos probabilidade de estragar mais. Limpar os passeios, e a tendência será de o lixo não acumular.
A teoria faz duas afirmações principais: que o crime de pequena escala ou comportamento anti-social é diminuÃdo, e que o crime de grande escala é, como resultado, prevenido.
A principal crÃtica desta teoria foca sobretudo esta última afirmação, que considera não provada.”
Fontes: Wikipédia em Português / Wikipedia em inglês
______________________________________________
Provada ou não, não vejo razão para não arriscar a ideia no Brasil.
Um abraço, Edu
Olá Eduardo!
Você como sempre, com ótimos posts em seu blog.
É interessante pontuar detalhes que nós, por sermos brasileiros e morarmos aqui no Brasil, acabamos nos acostumando e ignorando o fato de estarem extremamente errados.
Campanhas como o Trânsito + Gentil podem ser pequenas perto do tamanho dos problemas mas realmente já são um começo para melhorar alguma coisa.
Obrigado sempre pelo seu apoio!
Atenciosamente,
Equipe Trânsito + Gentil.
Sempre falo que o municÃpio de São Paulo é grande demais, e alguns distritos deveriam se tornar independentes, e a prefeitura/subprefeituras não cumprem com o seu dever e obrigação, principalmente na gestão psdb/dem.
As periferias estão totalmente abandonadas, por exemplo, no bairro onde moro a varreção das ruas é feita 1 vez por semana; não há recolhimento de lixo seletivo, apesar dos moradores separarem o lixo seletivamente.
Todas as casas, inclusive prédios possuem grades.
Na gestão da Marta aconteceu a tentativa de embelezar as ruas arborizando-as, e praças arborizadas, com gramado e playground, mas infelizmente, atualmente estão quase que abandonadas, feias.
O centro da cidade de São Paulo é muito feio.
Mesmo a tão falada Paulista, Augusta, Oscar Freire, e adjacências são feias, a última vez que passei por lá, calçadas quebradas, lixo no chão, água empoçada; eu sinto vergonha de levar minhas visitas - elas ficam decepcionadas com a cidade, porque passeamos durante o dia - porque eu acho que pelo menos esses locais deveriam ser olhados com mais atenção, enfim, não havendo continuidade na administração da cidade sempre o municÃpio de São Paulo é mais feio que algumas cidades do interior deste Estado.
Desculpe-me por ter-me alongado.
Irene.
Esqueci de falar do trânsito e dos motoristas: o trânsito é caótico, porque a vias são totalmente desestruturadas, desorganizadas, qualquer motorista entra a esquerda a direita quando lhe aprouver; os motoristas fazem questão de se assenhorar das avenidas, esquecendo-se completamente dos pedestres; sinto falta da ciclovia, que se não me falha a memória, que mencionou a 1ª vez foi o Maluf; o transporte público inexistente: passageiros de ônibus e metro viajam em sistema de superlotação e ninguém toma providência. Alguns professores da USP até publicaram na internet um abaixo-assinado.
Desculpe-me novamente.
Irene.
Para brasileiros, paulistas que não tem condição de viajar para fora e ver como o povo de lá é diferentemente educado em relaÇão ao transito e respeito a pedestres sugiro uma visita a cidade paulista de Campos do Jordão.
Eu que só fui até o paraguai me senti em uma cidade europeia. Logo ao chegar estranhei o fato da cidade não ter semaforos. Os motoristas PARAM para os pedestres passarem. É algo que lá fora pode ser comum, mas que aqui no Brasil foi a primeira vez que vÃ.
Passar uns dias em Campos do Jordão além de relaxande é educativo. Deveria ser obrigatório aos motoristas dirigirem um pouco em Campos pois você acaba se educando e aprendendo a ter mais respeito pelos pedestres…